Renato Russo






 



 

 



15/03/2006 23:58


"A música brasileira continua heterogênea como sempre, muitas coisas bacanas como Los Hermanos, Domênico +2 e coisas tristes como esse fenômeno Calypso..." Dado Villa-lobos

Recém-lançado pela MTV Apresenta, Dado Villa-lobos, ex-guitarrista da consagrada Legião Urbana recebe críticas e grandes elogios pelo trabalho solo e acredita em seu reconhecimento particularizado: Jardim de Cactus, gravado em novembro do ano passado.

Não só no palco da emissora, mas em shows e lugares de todo o Brasil o cantor pôde mostrar o estilo próprio, o conhecimento e qualidade musical e com ele vários amigos - entre eles Paula Toller (Kid Abelha) e Fausto Fawcett - para comprovar que Dado hoje é muito mais que parte do mito Legião. Uma das provas mais palpáveis disso é o prêmio que ganhou em 2001 de melhor trilha sonora no Festival do Cinema Brasileiro, em Miami (por seu trabalho no filme Bufo & Spallanzanni).

Adepto da música tênue e melancólica, o sobrinho-neto do maestro Heitor Villa-lobos tem entre os CDs em sua cabeceira algo que varia de Johan Sebastian Bach, Radiohead a Caetano Veloso.

Mesmo com a aparência de menino tranquilo, sossegado e de voz baixa, para quem não sabe o cantor esconde em seu talento a ousadia de produzir musicalmente. É isso aí. Foi Dado Villa-lobos o responsável pela produção de "A Tempestade" ou "O Livro dos dias" e "Uma Outra Estação", os últimos CDs da lendária Legião Urbana.

Em entrevista exclusiva para o Vaga-lume, Dado fala do passado e da expectativa da carreira solo. E quando se trata da Legião Urbana, o ex-guitarrista afirma se sentir lisongeado por ter feito parte de uma das melhores bandas de rock nacional. O resto vocês conferem abaixo.


Entrevista

Gostaria que você falasse um pouco do novo CD, o MTV ao Vivo. Nele você conta com participações especiais, incluindo a Paula Toller e o Paralamas. O que eles representam na sua carreira?

Antes de mais nada nós somos grandes amigos desde sempre e agora finalmente colocamos em pratica nossas afinidades e cumplicidade nesses mais de vinte anos de vida "artistica" , fiquei hiper feliz e satisfeito com tantas homenagens e apoio.

Como você vê esse reconhecimento particularizado, visto que hoje em dia é só o "Dado" e não a Legião Urbana?

Só posso ficar lisonjeado e sensibilizado com tanto apoio e carinho de tantas pessoas de tamanha representação no cenário musical brasileiro.

Quais são as suas influências musicais? São as mesmas de uma, duas décadas atrás? O que você acha que mudou na música brasileira do fim da Legião para cá?

As influências vem se acumulando ao longo do tempo, é algo bem subjetivo dentro do espectro emocional que só a musica provoca nas pessoas, é bem particular desde meu pai tocando seu piano clássico a todos os idolos como John Lydon e os irmãos Reid do Jesus and Mary Chain... A música brasileira continua heterogenea como sempre, muitas coisas bacanas como Los Hermanos, Domenico +2 e coisa tristes como esse fenômeno Calipso...

Fale um pouco das músicas novas. Qual a essência das suas composições?

É um grande apanhado de diversas fontes e formatos com os quais eu me identifico e acredito, foi um processo longo de criação que ia e vinha conforme o tempo e a inspiração chegavam, a essencia continua sendo a motivação de falar sobre a vida agora já chegando em sua fase digamos assim adulta etremeda de melodias interessantes e arranjos variados.

Quem são seus ícones musicais? Seus ídolos?

De Johann Sebastian Bach, Velvet Underground, Beach Boys, Beck, Caetano Veloso, Ramones e Radiohead.


enviada por CaCau



21/02/2006 20:46

Renato incorpora Sid Vicious numa apresentação da Blitx 64

" Acho que meu pai sabia, ele provavelmente viu na TV ou leu nos jornais, mas não me contou. Um amigo me disse e eu não acreditei. Tive que ligar para meu professor de violão e perguntar se ele tinha ouvido alguma coisa. Aconteceu numa sexta-feira, mas eu só soube da notícia no domingo à noite. Nada me atingiu do jeito que a morte do Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso, não só por Sid, mas por tudo. Perdi completamente o controle de mim mesmo. Sabe, nada acontece aqui, nunca. E sempre recebo as notícias duas semanas atrasado. Não se lança nada de new wave (ou qualquer outra coisa boa que interesse) aqui, eu tenho que comprar importados no Rio. Tudo é disco, Travolta ou samba. Quando a coisa do punk começou, eu e meus amigos entramos de cabeça, porque alguma coisa estava acontecendo. Nos envolvemos com a música como não acontecia desde os Beatles e os Stones. Era diferente. Sid, John e o Clash - eram todos heróis. Eles pensavam do jeito que a gente pensava; nem mesmo o Airplane [Jefferson Airplane, grupo psicodélico formado em São Francisco, no auge do flower power] tinha batido tão perto de mim. Dava um certo medo, era como dividir alguma coisa, não era apenas ser um fã burro. (...) Ele morreu por causa do que era. E como Brian [Jones, guitarrista dos Stones], Jim [Morrison, vocalista dos Doors] e Gram [Parsons, ex- The Birds, pioneiro do country rock que morreu em 1973, de uma overdose de morfina e tequila], as pessoas só vão entender depois de alguns anos. Alguns vão esquecer, outros não, alguns já esqueceram, mas quando um herói é de verdade (eu digo herói mesmo), ele sobrevive. Aposto que alguém vai rir lendo isto. Pode rir, você não entende. (...) Eu cresci milênios de 75 pra cá. Mas ainda tenho 18 anos. Vejo as coisas um pouco diferentes agora, e odeio... Mas vou passar por isso, e não vou perder (ganhar) como Sid Vicious fez. Eu vou fazer por ele o que ele fez por mim."

Carta escrita em inglês, sob o pseudônimo de Eric Russel, publicada no jornal Melody Maker, de Brasília, edição de 31 de março de 1979, quase um mês depois da morte de Sid Vicious, do Sex Pistols
enviada por CaCau



15/02/2006 00:16
"Existem marés e existe a lua. O segundo verso de "Há Tempos" é de um texto achado numa igreja em 1600 e alguma coisa na Europa e veio por carta (Oi Luzia!). O legal é que quando minha prima voltou do encontro jovem lá estava a mesma frase, no mesmo texto, desda vez atribuído a um autor hindu desconhecido, na apostila (junto com a foto dos jovens do encontro pra você guardar de lembrança etc.)

Todo hotel que se preze tem catálogo telefônico na gaveta perto do telefone e Bíblia. Só teve uma vez que no hotel não tinha nada, outra que em vez de Bíblia era o livro de Mórmon e um belo dia chegamos em... (não me lembro) e o que tinha junto com o TELESP (?) era A Doutrina de Buda. Gostei tanto que quis levar um exemplar pra casa comigo. (Era um hotel grande, eles deviam ter centenas de doutrinas de Buda). E por algum motivo, em vez de roubar um (levar sem avisar) desci até a recepção e perguntei do livro e eles disseram: Tudo bem. Pode levar um pra você. No livro vem escrito: "Qualquer parte dess elivro poderá ser livremente citada sem permissão. Gostaríamos somente que Bukkyo Dendo Kyokai seja creditado pelo fato, e que uma cópia da publicação nos seja enviada." E tem o endereço e a gente vai mandar o disco porque toda parte sobre dor e desejo de "Quando o Sol" é do livro. Imagina! A gente pode até fazer sucesso no Japão! (Espero que eles gostem do disco). "Monte Castelo" é como está ccreditado e deve ter alguma coisa do Tao-Te-King (o livro do caminho perfeito) de Lao-Tsé (da China Antiga) em algum lugar. Não vá pensar que nós fizemos tudo isso sem ajuda. Alguns erros são de propósito, outros não. Kyrie Eleison. Christie Eleison. Pie Jesu, qui tollis peccat a mundi dona eis requiem. Existem canções."

Conteúdo do encarte do CD "As Quatro Estações"
enviada por CaCau



10/02/2006 17:37


"Eu sei que tem gente que projeta suas fantasias mórbidas em cima de mim e diz que já tentei suicídio muitas vezes. Mas é que elas não entendem que, às vezes, eu vejo o que quase ninguém vê."

Renato em 1986

Pais e Filhos
(Dado Villa-Lobos, enato Russo, Marcelo Bonfá)

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender

Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das tres
Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar,pra pensar
Na verdade não há

Me diz por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?




enviada por CaCau



05/01/2006 23:24


Introdução da entrevista que Renato Russo fez com Cássia Eller, para a
revista ‘SuiGeneris’/ Correio Braziliense, 12 de fevereiro de 1995.

Cássia Eller tem o espírito livre e uma voz única no cenário nacional
- não só quando canta mas também por sua atitude em relação ao mundo
e ao seu trabalho. “Não gosto de corrigir as pessoas”, é praticamente
a primeira coisa que ela me diz.
Estamos em uma cantina italiana na Barra, onde faremos nossa
entrevista. É perto de sua casa, um espaço amplo e confortável onde
estão seus discos e livros, seu estúdio e instrumentos: ela respira e
vive música 24 horas por dia. E também seu amor por Francisco, seu
filho, e Eugênia, com quem está junto há oito anos quase.
“Prefiro não falar muito sobre isso”, ela diz com seriedade e, ao
mesmo tempo, com bom humor. Aliás, a primeira impressão que se tem é
de que ela prefere não falar sobre nada em especial. Tudo é simples e
sem complicações para Cássia, que, de menina tímida e meio
“bicho-do-mato”, como ela mesma se descreve, transforma-se em uma
torre de força quando canta, eletricidade pura para todos os lados.
Na adolescência divida os estudos com aulas de canto operístico - era
ela quem cuidava dos três irmãos mais novos, tocava surdo num grupo
de samba e cantava no Massa Real, um trio elétrico, tudo isso em
Brasília.
Agora ela está mais serena: o nascimento de Francisco mudou tudo. “O
que mudou mesmo foi a minha disciplina. Não tinha nenhuma, agora eu
respeito os horários, trabalho num esquema certinho”, ela diz e
completa: “Este novo disco já é um sinal disso”. Ela não esconde de
ninguém que a experiência da maternidade foi e é uma influência forte
na música que faz agora.
A verdade é que Cássia Eller está sendo reconhecida como a excelente
e versátil cantora que é: do blues ao samba, do rock ao soul. E isto
sem perder a identidade ou sua força (que é imensa). O novo disco,
intitulado “Cássia Eller”, simplesmente, é um grande passo em sua
carreira, elogiadíssimo pela crítica e já seu maior sucesso de
vendas, o trabalho permite um espaço maior para respirar: não só a
Cássia cult, roqueira, cantora de blues, mas Cássia Eller, ela mesma.
“Eu queria fazer um disco mais popular, para um público maior”. E ela
conseguiu um repertório de primeira, desde uma inédita de Cazuza,
Malandragem, “o que foi bom demais da conta”, como ela mesma diz
sorrindo, até Try a little tenderness, de Otis Redding, um dos pontos
altos do disco.
“Consegui juntar desde o rock dos anos 80 a Ataulfo Alves, Raul
Seixas, Tim Maia... O que eu quero agora é voltar logo para o palco.
Rendo muito mais ao vivo do que no estúdio, com as máquinas, me dá
meio uma vergonha... No palco eu me solto, adoro cantar ao vivo, é o
que mais gosto”. E mais: “Nesse tempo todo já sei melhor como
funciona a questão dos direitos autorais, lidar com a gravadora, as
fotos, as entrevistas, vídeo-clips... É muita coisa”.
E ela deixa acontecer porque sabe que talento não se mede em
porcentagem. Ela é muito leal e firme no que acredita e realmente não
interfere ou tenta controlar o que lhe aparece pela frente.
“Quem sou eu para dizer como as pessoas devem viver suas vidas. Eu
sou livre, não é fácil, mas eu sei em que acredito e espero sempre
que todo mundo tenha seu espaço e suas vidas - as pessoas complicam
um pouco as coisas e, olha, não precisa. Eu não fico corrigindo os
outros, eu deixo as coisas rolarem”.
E ela ri, sabendo que este talvez seja o melhor controle, a
estratégia mais inteligente, a atitude mais bonita: simplesmente ter
honestidade e coragem para acreditar em sim mesma e enfrentar muito
trabalho, o que não é para qualquer um.
Ela se esconde um pouco, acha um pouco de graça em tudo, é séria, tem
um olhar belíssimo que lembra a índia cantada naquela guarânia antiga
e sua timidez disfarça um pouco o quanto é bonita.
Meninos e meninas, Cássia Eller é uma deusa!


enviada por CaCau






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